Estamos nos aproximando do ápice de nossa fé católica: a páscoa do Senhor. É nela que professamos fervorosamente que cremos em um Deus, que veio ao mundo, morreu por nossos pecados e, sobretudo, ressuscitou.
“Ora, se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com Ele” (Rm 8,9).
Na celebração da Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo somos chamados a uma experiência de morte e ressurreição. Por isso, para que possamos ressuscitar junto a Jesus na Páscoa, faz-se necessário que antes nos mortifiquemos, vivamos a penitência e a renúncia da nossa vontade.
Entenda melhor!
Quaresma: tempo de mortificação
Não há um tempo tão propício como a Quaresma para que vivamos a mortificação naquilo que nos afasta de Cristo. Afinal, Quaresma é tempo de conversão e conversão é mudança de direção.
Nesse tempo litúrgico, a Igreja sabiamente dispõe a cada um de nós fiéis um caminho de mortificação que nos levará ao encontro com Cristo Ressuscitado.
Toda a liturgia, todo o rito próprio deste tempo, nos convida a olhar para esse mistério de nossa Salvação. É um convite muito especial que Deus nos faz por meio da quaresma.
Eu tenho certeza de que você também guarda uma lembrança na qual deixou de comer aquela comida que mais gosta durante a Quaresma. Nem vou comentar sobre deixar de comer chocolate! Quem sabe, talvez, diminuir o tempo nas redes sociais: “Nesta quaresma, sério, não vou passar o dia inteiro no instagram… Vou acessar só uma hora por dia!”.
Então, para que você possa viver bem o tempo da Quaresma, comece aproveitando as dicas abaixo.
Aliás, seria muito bom começar a separar algumas leituras para te acompanhar nesse tempo. Você já começou a fazer isso? Ainda não?
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Dica 1 – Recolhimento
É a voz do Senhor que precisamos ouvir, pois só ela é capaz de nos dar a vida. Como na parábola do Bom Pastor – somos Suas ovelhas, Ele as chama pelo nome e as conduz à pastagem.
Também como afirma o Papa Francisco: “Jesus é o pastor, que vem para salvar, para salvar as ovelhas errantes…” (HOMILIA DO PAPA FRANCISCO – “A mansidão e ternura do Bom Pastor”. Domingo, 3 de maio de 2020).
Precisamos nos deixar conduzir por Cristo e abandonar os caminhos que não nos convém.
É no silêncio que se escuta! Sobretudo, abrir o coração para que possamos acolher a voz do Senhor que nos fala de diversas formas, como por exemplo: por sua palavra, na celebração eucarística, no irmão necessitado etc.
Façamos durante o nosso dia pequenos momentos de silêncio.
Dica 2 – Intensificar a oração
Muitos ainda caem no erro de achar que intensificar as orações seja somente aumentar o número de palavras ditas no momento de oração pessoal e comunitária e nas práticas devocionais.
Porém, é grande o engano se pensarmos que, por força de nossas palavras e pelo número de vezes que abrimos a boca, estamos sendo mais ouvidos pelo Senhor.
“Deus resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes” (Pr 3, 34). Não é a quantidade, e sim a qualidade de nossa oração que nos garante um diálogo real com Deus.
Portanto intensifiquemos as nossas orações de modo que, o diálogo com Deus aconteça de fato.
Dica 3 – Jejum e penitência
Aqui podemos facilmente cair na tentação de apenas renunciarmos a uma vontade de comer ou de simplesmente deixarmos de fazer algo que gostamos.
Mas, acima de tudo, o jejum e a penitência nos recorda as palavras do próprio Jesus na tentação do deserto: “Não só de pão vive o homem mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).
Ao renunciarmos uma refeição, ou um hábito, estamos recordando, a nós mesmos, que o nosso olhar deve estar voltado ao céu. Devemos, de fato, mostrar ao nosso corpo que ele precisa render-se ao seu Criador.
Pois, a verdade é que muitos afundam-se nas paixões e já não percebem que o que mais suas almas desejam é Deus.
Como diz São João da Cruz: “nega os teus desejos e encontrarás o desejo do teu coração”.
Dica 4 – Obras de Caridade
Muito mais do que doar objetos, roupas e etc… A caridade nos tira de nós mesmos! Arranca-nos do centro e nos dispõe a enxergar a realidade em nossa volta.
Foi o próprio Jesus que nos deu o exemplo negando a si mesmo para doar-se inteiramente por nós:
“Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fp 2,6-8).
Foi Deus que deixou sua realidade para encarnar na nossa condição humana. Por isso a caridade é muito mais do que doar coisas, é doar de si mesmo.
Doemos o nosso tempo para ouvir, para servir, para olhar em volta e perceber que há tantos outros que devem ser estimados mais do que nós. Por amor a Jesus e com este amor, amemos.
Sejamos verdadeiramente caridosos para viver bem a Quaresma.
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Por fim…
A Quaresma é sem dúvida um caminho certo e seguro que nos levará a uma vida nova. Aproveitemos bem este tempo!
Não deixemos passar nenhuma oportunidade de mudança e não tenhamos medo da morte que a Quaresma nos propõe. Certamente, é uma morte que nos impulsiona a uma verdadeira vida, neste mundo e para eternidade.