Você sabe a importância da Quarta Feira de Cinza ?

“Lembra-te que és pó, e ao pó haveis de voltar”(Gn 3,19b). São estas as palavras que ouvimos ao receber as cinzas na celebração da Quarta-Feira de Cinzas após o período do carnaval.

A imposição e a bênção das cinzas ocorre na celebração eucarística, logo após a homilia; porém, em algumas exceções, pode acontecer dentro de uma celebração da Palavra. 

Quando recebemos as cinzas sobre a nossa cabeça, somos introduzidos no tempo quaresmal. 

Mas, afinal, o que significa a Quarta-Feira de Cinzas e qual a sua importância para os fiéis?

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Somos pó e ao pó voltaremos

Esse mundo tem muitas belezas. As cores da natureza, a força dos rios, a árvore que dá seu fruto e o sorriso de uma criança.

Essas e tantas outras coisas enchem nossos olhos de admiração e, por um segundo, podem nos prender a atenção. Mas tudo nesta vida, até mesmo as de maior beleza, carregam a marca da transitoriedade. Tudo passará.

Mas, olha só! Como é grande o presente que a liturgia católica nos concede na celebração da Quarta-Feira de Cinzas. Embora sejamos mortais, não foi para a mortalidade que Deus nos criou e sim para uma vida eterna nos céus.

“A intenção sacramental é nos levar ao arrependimento dos pecados, é fazer-nos lembrar que não podemos nos apegar a esta vida” (Quaresma – Formação Canção Nova). Não podemos achar que a felicidade plena é construída aqui, de fato, isso é uma ilusão perigosa.

Como diz as escrituras: “…porque és pó, e pó te hás de tornar” (Gn 3,19b). O homem pecou no jardim do Éden e passou a ser mortal, mas com a morte de Jesus na cruz, abriu-se para nós a morada definitiva, o céu.

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O nosso Deus nos convida à misericórdia

Quão grande é a Misericórdia Divina! Fica ainda mais evidente o grande amor do Senhor por nós, que na liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, nos convida a perceber nossa fragilidade e vulnerabilidade.

As cinzas representam, portanto, a nossa pobreza e fraqueza e também um convite: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Quando ouvimos ser pronunciadas estas palavras, somos convidados por este Deus tão amoroso à penitência e lembremos que: quem corrige ama.

Sendo assim, o Senhor nos convida ao arrependimento de nossos pecados para que tenhamos comunhão com Ele que é Santo.

Então, no momento da celebração devemos nos retirar, em silêncio, meditando no significado destas palavras proferidas pelo sacerdote, logo após colocar as cinzas em nossa testa (ou cabeça).

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As cinzas significa o arrependimento dos pecados

No Antigo Testamento é comum vermos a prática de cobrir-se com cinzas, sempre quando se buscava redimir ou suplicar a misericórdia de Deus ante um mal cometido.

Por exemplo, no livro de Ester, Mardoqueu se veste de saco e se cobre de cinzas. Assim que ele soube do decreto que o Rei Asuer I da Pérsia, que condenou à morte todos os judeus de seu império (Est 4,1).

Também o profeta Daniel, mediante a captura de Jerusalém pela Babilônia, atestou: “Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir-lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza” (Dn 9,3).

Já no Novo Testamento Jesus proferiu estas palavras utilizando-se do sentido das cinzas: “Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas” (Mt 11,21).

A Igreja Católica ainda permanece com essa simbologia das cinzas até hoje por ver nela a ligação que possui com as tradições mais antigas do povo de Deus. Assim como, um sentido profundo de precariedade e fugacidade. 

De tal forma, que representa a nossa condição humana manchada pelo pecado, mas também a nossa tentativa de ascese.

Portanto, com as cinzas iniciamos a Quaresma…

É o marco para o início de um caminho de conversão até a Páscoa de Nosso Senhor. É o dia de jejum e abstinência de carne, penitência e oração mais intensa, que sintetiza o que viveremos durante os próximos quarenta dias. A partir das cinzas em nossa fronte, somos unidos à Paixão e Morte de Jesus.

Recebemos na liturgia um importantíssimo convite para mortificação das coisas mundanas a fim de que possamos gozar da realidade celeste. Por isso, a Quarta-Feira de Cinzas é a preparação e a porta de entrada para este tempo, que é o centro da nossa fé.

Então, entremos nesse tempo confiantes! Assim como diz a Sagrada Escritura: “Eis uma verdade absolutamente certa: Se morrermos com ele, com ele viveremos. Se soubermos perseverar, com ele reinaremos” (II Tm 2,11-12).

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