Um coração missionário é acima de tudo inquieto. Sim, inquieto ao ver alguém que ainda não conhece o amor de Deus e, por isso, padece de tantas realidades e sofrimentos. Tudo porque vive distante do Senhor.
A característica comum aos cristãos é carregar dentro de si um coração cheio de ardor para levar Jesus a quem não O conhece. Para que toda a sua existência ganhe sentido e isto inclui, inclusive, os momentos de dificuldades e de sofrimentos.
Assim foi na vida de nossa Padroeira Santa Rita de Cássia, que viveu por meio de uma fé inabalável. Ela não se contentava ao ver a vida leviana que seu marido levava e o olhava, não somente como seu esposo, mas como um filho de Deus.
Sem dúvidas é assim que também nós precisamos olhar! Com amor aos irmãos que ainda estão perdidos nos vícios, ou imersos na tristeza, e, que podem encontrar o caminho de volta para a Casa do Pai.
É com esse mesmo amor de Deus, pulsando no nosso coração, que podemos fazer como a nossa querida Santa Rita de Cássia. Vamos descobrir agora, como viver bem a nossa missão dentro de casa, da igreja e no mundo, seguindo o exemplo da nossa padroeira.
Antes de tudo é preciso amar para se doar
Somente um coração que ama com um amor divino é capaz de sair de si mesmo e se esquecer de seus próprios interesses pessoais. De tal forma que se põe a olhar para o outro como alguém que necessita de Deus.
Santa Rita desde criança guardava os mandamentos no seu coração e desejava entregar-se por completo a Deus se consagrando num convento. Esse era o seu desejo, mas, nosso Senhor tratou de convidá-la para uma grande missão: a conversão do seu esposo. Sendo assim, quão grande amor a Deus e, por consequência, ao próximo, ela tinha no coração.
Imagina só! Abrir mão de sua vontade para fazer o que Deus quer, amar o que Ele quer que amemos e encontrar aí a nossa verdadeira felicidade.
Quem poderá dizer que, mesmo em uma missão desafiadora, Santa Rita não era feliz? Pois a alegria dela era a alegria de Cristo, que sonhava com a salvação do homem que se tornou o marido da nossa Rita de Cássia.
Assim disse Jesus aos Seus discípulos: “Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo” (Jo 15,11-12).
Conheça a dor de seu irmão
O coração missionário deve trazer dentro de si uma profunda compaixão que o leve ao encontro, não de seus interesses, mas das necessidades do próximo. Pois quando suprimos a sede de nosso irmão é ao próprio Deus a quem servimos.
Como o próprio Jesus nos ensinou no Evangelho: “porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim” (Mt 25, 35-36).
Daí podemos descobrir as dores de nossos irmãos. Ora, não somente as materiais, mas principalmente as espirituais – devemos reconhecer em nosso próximo o Cristo que sofre, o Cristo chagado e ferido que diz “tenho sede!”.
Nesse mesmo exemplo vemos na vida de Santa Rita a compaixão sincera pela alma de seu marido. Ela deu de comer a quem tinha fome, mesmo que nem sequer seu cônjuge soubesse disso. Ela deu-lhe de beber, o acolheu, o vestiu, o medicou e mostrou-lhe a libertação dos seus pecados.
Foram tantos anos de doação por uma alma que, na verdade, sofria muito. Nossa padroeira não olhava para as suas dores, mas para as dores do outro.
Aprenda a viver sua missão seguindo o exemplo da vida de Santa Rita de Cássia, pois ela entendia que: “todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25,40).
Viva a sua missão como Santa Rita de Cássia
Como foi a vida missionária de nossa querida padroeira? Nada além de assumir a mesma vida missionária de Jesus Cristo. Ela descobriu que para melhor viver a sua missão era necessário ir para onde Deus a estava enviando, e não era ainda ao convento.
A vida missionária traz em si mesma uma necessidade vital de estar unida a Cristo! Sendo assim, somente uma alma nutrida por uma profunda intimidade com Deus consegue enxergar as necessidades que estão além da aparência.
Então, para melhor viver a nossa fé, a piedade, o amor para com o próximo, etc., antes de qualquer coisa é necessário amar a Deus e assumir em nossa própria vida a vida missionária de Jesus Cristo.
O Catecismo da Igreja Católica nos ensina sobre a missão do corpo de Cristo, mostrando que, após a Sua ressurreição, Jesus inaugura o nosso protagonismo missionário: “a missão de Cristo e do Espírito passa a ser a missão da Igreja: ‘Como o Pai me enviou, também eu vos envio’ (Jo 20, 21)”. (cf. catecismo da igreja católica § 730).
Antes de ir também aprenda a ouvir
Outra coisa muito necessária para viver melhor a missão em nossa paróquia é aprender a ouvir, ou seja, a estar atento à vontade de Deus. Antes de sermos missionários, temos de nos fazer discípulos para aprender com Cristo a como amar, a se doar e a servir ao irmão.
Foi preciso muitos anos de paciência para que Santa Rita pudesse ver os resultados de suas súplicas e penitências. Ela soube ser discípula, com perseverança na oração pela sua família e os amando a ponto de nunca desistir ao entregar os seus familiares a Deus.
A vida de missão é como uma semeadura, onde não cabe ao semeador saber como será o dia seguinte. Mas cabe fazer com zelo e diligência a parte que lhe cabe hoje, esperando com confiança o tempo da colheita. A chuva não está em seu poder, nem a contenção total de uma possível praga, a única coisa que está em seu poder é semear.
Como um impulso natural de seu coração! Semear e semear na esperança do dia em que celebrará jubiloso os frutos do seu trabalho.
Por fim
Santa Rita de Cássia não tinha certeza se colheria os frutos da colheita, mas ela acreditava, cheia de fé, que os frutos da vida de oração não passariam sem antes produzir os seus efeitos.
Ela deixou seu coração sempre abrasado pelo amor de Deus! Tão grande era a sua paixão por Cristo, que ela assumia para si a paixão do próprio Jesus e sua doação na cruz.
Você consegue ver a maior necessidade que os homens possuem? Se você ainda não respondeu, vamos te ajudar: é Deus!
Portanto, o homem foi feito para Deus e só poderá viver em sua plenitude se estiver unido a Ele. Como um rio que corre para o mar, assim também o homem sente a necessidade de encontrar-se com Deus.
Santa Rita viveu assim, conduzindo os seus para um encontro com o Senhor. Faça você também o mesmo!
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